quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Collins x Dawkins


Em 2007 tive a oportunidade de ler uma das muitas obras do Dr. Francis Collins: A linguagem de Deus. Por algumas vezes Collins cita outro famoso e polêmico cientista da atualidade: Richard Dawkins. Esses dois nomes estão em pólos opostos diante da relação religião x ciência.
Dawkins é ateu militante e no seu livro Deus, um delírio, faz um ataque cruel ao modo de pensar religioso que exclui a ciência ou a ignora na parte em que ela deveria ser mais útil: no entendimento do mundo.
A primeira vista, o título do livro de Collins pode parecer convidativo, porém, não se engane, se trata de um cientista, coordenador do projeto americano do genoma (a parte da iniciativa estatal dos Estados Unidos), e como tal não pode se dar ao luxo de crer no gênesis ou em outros termos como ressureição, virgindade de Maria e etc. O que Collins tenta fazer é conciliar duas coisas que, para Dawkins, são negações uma da outra, religião e ciência. Esse ponto talvez seja a parte da crítica de Dawkins mais contundente; para ele alternativas como o design inteligente são vagas pois criam um problema maior do que o que já temos: "Quem projetou o projetista?".
Deus, um delírio, é uma obra coesa dentro do seu âmbito, é impossível negar isso. Trata-se de ciência pura em linguagem clara e acessível. É Darwin para iniciantes, sendo que a seleção natural é a bandeira do cientista que afirma, de forma veemente, ser o evolucionismo a resposta para organismo e suas mais complexas funções.
A leitura dos dois livros é prazerosa. Se você iniciar algum deles e não concordar com as idéias, não pare, vá em frente. Parando talvez você prove que está fechado para idéias diferentes da sua religião, ou seja, está um passo atrás do resto do mundo. Em termos bem cristãos e ocidentais nenhuma das obras vai lhe ser aconselhada pelo pastor ou padre da sua igreja. Eles não leriam isso. Contudo, um homem de um livro só, um homem de uma só palavra, um homem de uma só postura, um homem de um só lugar, um homem de uma só crença, esse homem está em alguma praça por aí, imóvel, com fezes de pombo pelo corpo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Geek´s Party 2008 - Photos

As seguintes imagens foram captadas no Haras do Jonas pai; Pai do Jonas Júnior. Quem conhece as figuras vai notar a ausência do tabuleiro de xadrez.

























segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Pirataria e Promoção! And the Dvd goes to...


Não foram muitas respostas, mas fiquei muito contente com o nível das que chegaram. E fico feliz em publicar nesse blog com a certeza de uma certa interatividade que rompe a barreira estadual. Esse projeto, ao lado do DireitoFacimp, não pretende lucratividade ou coisa do tipo. A intenção aqui é pura e simplesmente difundir, interagir e aceitar novas idéias. A cidade em que vivo - assim como a imensa maioria das cidades do país - passa por centenas de tragédias todos os dias e acredito que tudo isso esteja ligado à educação ou à falta dela.

Essa é uma iniciativa pessoal que já está conseguindo adeptos; pessoas como Cairo Noleto:

"Por que você compraria ou não uma pirataria?"


Vou responder a pergunta indiretamente, eu sou a favor de uma política econômica mais justa.
Infelizmente, os altos juros mostram que mesmo assim, o investimento internacional industrial no nosso país não recebe a infra-estrutura necessária para a criação no Brasil de produtos que possam concorrer internamente com produtos internacionais.
Na área da informática (minha área) existe uma taxa de importação, fora juros de deslocamento entre estados, entre outros, de 60% sobre o valor do produto. Seria uma taxa justa, para incentivar a industrialização se, eu digo se, o Brasil fabricasse estes produtos.
Um produto que é fabricado aqui, e que por conta da alta taxa de juros e custos, sai mais caro do que o mesmo feito em outro país são os carros. Uma matéria no invertia (Site do Terra) mostrou no ano passado os carros mais baratos do mundo, entre eles estavam um Uno Mille, que era vendido por menos de U$ 6000, sendo aqui no Brasil, sendo o mesmo vendido por um pouco mais de R$ 22 000 (Mais de 3 vezes mais se considerarmos a taxa cambial de R$ 2,00 por U$ 1,00).
E o que tudo isso tem haver com a pirataria?
A pirataria não é mais do que o próprio reflexo dessa política. Um filme em DVD, em lojas online como a amazon, custa de U$ 5 até U$ 15, e considerando a taxa de importação, saem menos ou pelo mesmo preço dos produtos nacionais. Eu prefiro tomar como comparação livros, o livro no Brasil é muito caro, chegando a diferenças de 100 até 200% entre os custos internacionais dos nacionais.
Por isso reafirmo, sou a favor de uma política econômica mais justa.


Cairo Noleto, Teresina PI.




Meus parabéns pela organização das idéias Cairo. Seu prêmio está a caminho.



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Cristovam Buarque em Imperatriz?

Cristovam Buarque era o chamado candidato de uma nota só nas últimas eleições presidenciais. A nota de Buarque era a educação. Nas entrevistas durante a campanha o candidato chegou a ser motivo de piada pela insistência em hastear essa bandeira. No fim, Lula foi reeleito com alguns corpos de vantagem sobre Cristovam, que nem chegou perto do segundo turno.

A campanha de Cristovam me veio à mente essa semana em duas situações muito relevantes para a educação em Imperatriz. Os casos estão situados nos dois extremos do processo educacional: educação básica e ensino superior. Em ambos casos o caráter de libertação da educação é puramente ignorado e substituído pela ânsia econômica, pelo desejo de poder e pelo jogo político.

Durante essa semana ocorreu a demissão em massa de professores do curso de Enfermagem na Faculdade de Imperatriz. O motivo: baixa nos salários. Quem estuda na Facimp – quem realmente estuda na Facimp – compreende que a instituição ainda não adquiriu a visão acadêmica necessária para se trabalhar com educação em nível superior. As campanhas comunitárias são relevantes apesar de terem um valor institucional puramente publicitário. A pesquisa não é realizada e sequer motivada, salvo por professores que insistem em nadar contra a corrente da ignorância. Para se trabalhar com educação é necessário paixão; não aquela paixão de cunho pecuniário característica de grandes investidores econômicos que implantam na sociedade a necessidade de “matar” seu oponente no mercado financeiro.

Na próxima semana ocorrerá uma auditoria nos recursos destinados à educação básica no município, o FUNDEB. O Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimento de Ensino de Imperatriz (STEEI) alega que o percentual previsto em lei – 60 por cento, de um montante total de mais ou menos 30 milhões de reais fora outros 5 milhões vindos de recursos próprios – não foi repassado de forma correta. Isso não obstante as contas terem sido já aprovadas pelo conselho criado para a fiscalização desse recurso; conselho esse composto por representantes de diversos seguimentos interessados, inclusive do próprio STEEI. Eu estive pessoalmente no STEEI há quase dez anos atrás – na época consistentemente engajado no movimento estudantil - e hoje me espanta a baixa rotatividade na direção sindical, uma vez que a rotatividade é sinal claro de um movimento democrático nas bases sociais. No mínimo deveríamos desconfiar de uma pantomima trabalhista em prol de uma classe enquanto o que ocorre é um jogo duríssimo de poder e interesses políticos.

A semana não foi de todo ruim. Junto com todas essas notícias a mais interessante recebeu a devida atenção da mídia em entrevista do secretário municipal de educação. Infelizmente não foram mais que quinze segundos a divulgação da adoção de um sistema de ensino qualificado e integrado para a esfera municipal. A iniciativa é louvável e só esperamos que evolua. Compreendemos que pacotes teóricos prontos podem não surtir efeito em situações sociais diversas o que se faz necessário a adaptação desse sistema para a realidade crua imperatrizense.

O candidato de uma nota só estava certo? E se estava por que não foi eleito? Implodir um sistema que se baseia em políticas de influência, como os exemplos citados acima, não é tão simples assim. Muitos não votaram em Alckmin pela forma agressiva com que atacou Lula no debate da Globo. Muitos não votaram em Lula por causa da campanha maçante da Globo contra as pretensões petistas de gestão – pretensões essas maléficas ou benéficas, a essa altura da corrida presidencial perde-se o pudor. E a grande maioria que votou não consegue responder, hoje, o porquê do seu voto; eles não foram educados para isso. Mais um ano eleitoral se inicia; e seria ótimo termos pelo menos uma opção parecida com Cristovam para a cadeira do executivo municipal. Alguém para perder feio falando em educação, lançando semente nas pedras.